Crise na construção civil: como os engenheiros foram afetados

Crise na construção civil: como os engenheiros foram afetados

Desde meados de 2014 o Brasil vem enfrentando uma das piores crises econômicas da sua história, a qual afetou diretamente o setor da construção civil, prejudicando milhares de empresas e profissionais ligados a esse segmento da economia.

Antes da crise na construção civil: período otimista

Em ritmo superior a outros setores, o PIB da construção civil encontrava-se com variação positiva. Se analisarmos a partir de 2010, o mercado da construção civil brasileiro vivia uma época de grande fartura. Em 2013 o número de engenheiros civis não era suficiente frente à demanda, e as estatísticas animavam todos os envolvidos da área, principalmente os estudantes.

Grandes investimentos do governo no setor contribuíram para isso: programas como o “Minha casa minha vida”, criado em 2009, que na época previa reduzir o déficit habitacional de 7,9 milhões de moradias, e a vinda da copa do mundo para o país. Ambos colaboraram para esta profusão de oportunidades. Mas infelizmente, “quanto maior o voo, maior a queda” e, sem aviso prévio, no ano seguinte esse cenário inverteu-se totalmente.

Maiores empreendimentos do país estão diretamente relacionados ao esquema

Já não é segredo que a instabilidade política relacionada à crise envolveu não somente os políticos mais importantes do país, como também as maiores construtoras.

O reflexo disso se deu na paralisação e cortes de investimentos em obras públicas, além da diminuição da capacidade de investimento privado no mercado da construção. Como consequência da falta de empreendimentos, todo o mercado que vivia da elaboração de projetos começou a sofrer com o impacto. Assim, o Brasil começava a vivenciar uma crise sem precedentes, que culminou em uma enorme retração do mercado da construção civil.

Crise e Lava Jato fazem diploma de engenharia cair em desuso

A engenharia sempre foi uma opção profissional segura e promissora, e esse foi o motivo da escolha de vários estudantes de engenharia até 2014. Muito se falava sobre formar-se com um emprego garantido. Via-se empresas recrutarem profissionais ainda dentro da sala de aula e era muito comum transformar o último estágio em um primeiro emprego.

Entretanto, devido aos cortes de verba relacionados à operação Lava Jato, a possibilidade que se discutia anteriormente de ocorrer um apagão de engenheiros, se transformou em um apagão de empregos.

O grande número de recém-formados nos cursos de engenharia em todo o país, que foram impulsionados para a carreira de Engenharia num momento de euforia do mercado, hoje enfrentam a realidade de falta de postos no mercado de trabalho.

Engenheiros lideram o ranking de profissionais qualificados mais demitidos

A crise provocou a redução de muitos escritórios de projetos, e seus donos – os empresários – se viram em grande dificuldade para cumprir os compromissos de sua empresa perante seus funcionários.

Para os engenheiros experientes, sempre resta a alternativa de trabalhar sozinho, ou com equipe reduzida, e conseguir sobreviver com menor demanda de projetos. Porém, aos engenheiros com menor experiência profissional, restou a maior dificuldade de conseguir oportunidades nesse mercado escasso de demandas.

Podemos listar um conjunto de situações relatadas por engenheiros de nosso país:

Estou terminando meu estágio final de curso, mas não sei se serei contratado pela empresa;
Trabalhava numa empresa de projetos de engenharia, mas com a crise fui um dos que foram demitidos;
Faço projetos como autônomo, mas a demanda é muito pequena e a concorrência muito grande, de forma que o preço do projeto é muito baixo.

Aquecimento do mercado após a crise: O país já está se recuperando?

A crise na construção civil será superada, já é possível ver um modesto aumento nas vendas de produtos relacionados ao setor que, apesar de parecer ínfimo, representa uma grande vitória para o setor.

Também é importante mencionar que as crises econômicas ocorrem circunstancialmente e, como em outros episódios históricos, a previsão é de que a economia volte a crescer, aumentando a demanda por serviços de engenharia e trazendo novamente as oportunidades que desejamos.

Portanto, isso é uma questão de tempo.

Assim, se você se enquadra em qualquer uma dessas situações, certamente está tentando encontrar uma saída para conseguir atuar no mercado, recuperar a renda familiar e sobreviver a essa crise.

Engenheiros devem se preparar para novas oportunidades

Com tudo isso em vista, pode-se notar que provavelmente já passamos pelo período mais crítico e o mercado já está tornando a se recuperar. Mais oportunidades começarão a surgir novamente, mas isso não significa que podemos nos colocar novamente em uma zona de conforto. Neste novo momento, o engenheiro deve saber identificar e agarrar as melhores oportunidades para alavancar sua carreira.

Nesse sentido, embora não se trate de uma questão simples de resolver, iremos publicar uma série de artigos com o intuito de apresentar a você algumas reflexões e alternativas de solução que poderão ajudá-lo a superar a crise e preparar-se para quando mercado voltar a crescer. No próximo post, darei algumas dicas sobre como aproveitar a crise na construção civil para se destacar no mercado.

Sinta-se à vontade para deixar perguntas ou considerações nos comentários, e fique atendo ao próximo post! Até logo.

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