3 indícios que o uso da impressora 3D na construção civil brasileira é iminente

As coisas mudam com o tempo. Essa frase sintetiza uma verdade atemporal, afinal não se projeta hoje da mesma forma com que era realizado a 20 anos, e tampouco se tem o mesmo conceito de telefone celular que se tinha na última década. E esta evolução é constante. Falei sobre essas eras tecnológica em outro artigo, que indico a leitura, caso você ainda não tenha lido.

Uma das vertentes dessa nova era tecnológica, a impressão 3D na construção civil, está em evolução acelerada no mundo, conforme vimos em nosso artigo mais recente. Hoje quero segmentar esta visão para a realidade da impressora 3D na construção civil brasileira, abordando sua realidade e alguns sinais que demonstram que esse cenário está mais próximo que pensamos.

A impressora 3D na construção civil brasileira – Cenário atual

É possível dizer que a impressora 3D ainda está em sua fase embrionária, com um imensurável potencial de crescimento. Atualmente, seu uso está voltado apenas para prototipagem, seja ela de maquetes arquitetônicas ou estruturais.

Utilizar modelos em escala reduzida para avaliação e apresentação é uma alternativa para trazer parâmetros do conceito BIM em projetos, principalmente no que se refere às variáveis tempo e planejamento de logística do canteiro de obras, uma vez que protótipos tridimensionais permitem uma melhor visualização da volumetria e organização espacial dos elementos.

Imagem: Estrutura impressão 3D no Eberick

 

Nesse sentido, é possível dizer que o uso de protótipos em escala reduzida auxiliaria também a equipe de execução da obra, que utilizam apenas plantas em 2D para orientação, uma vez que essa equipe raramente tem acesso aos arquivos eletrônicos em BIM utilizados nos projetos.

O uso de maquetes, bastante comum para ilustrar qualquer empreendimento, tinha como desvantagem seu custo e tempo de produções elevadas. No entanto,o advento da impressora 3D para impressão de maquetes facilita que o uso das miniaturas dos empreendimentos voltem a ser utilizadas para ilustração e apresentação dos projetos.

A impressão tridimensional de protótipos e maquetes 3D também é utilizada como material didático em algumas faculdades e cursos de modelagem voltados para construção civil. É bastante útil pois permite uma visualização palpável de todas as características geométricas, de desafio frequentemente que nos deparamos em execuções, como interferências e incompatibilidades e de ferramentas didáticas interativas para entendimento de modelos estruturais.

Mas chega de falar sobre o que está sendo feito e vamos ao indícios que o uso da impressora 3D na construção civil brasileira está bem próximo.

1. A filosofia da mente enxuta ou Lean Thinking

Você já deve ter ouvido falar nesse termo, baseado no sistema Toyota de produção, que visa, entre outros pontos, eliminar qualquer elemento que não agregue valor ao produto, acabando com os desperdícios e resultando no melhor aproveitamento dos recursos e processos. Se ainda não ouviu, certamente ouvirá em breve.

Essa é uma doutrina amplamente difundida entre as grandes empresas e gestores de construção civil e serve como sistema bastante eficaz de organização e aumento de produtividade. Seu principal apelo é a capacidade de produzir uma crescente e variada gama de produtos, utilizando a metade do esforço da equipe de produção e do investimento financeiro, a partir de um projeto enxuto e bem planejado.

Entre os princípios da “Lean Construction” ou construção enxuta, apresentados por Lauri Koskela, está por exemplo, o princípio de simplificar os processos através da redução de número de passos ou partes, o que é facilmente atendido se o uso da impressora 3D na construção civil brasileira for semelhante ao mundial, com impressoras imprimindo casas inteiras, em larga escala, padronizadas e em um tempo menor se comparada a ação humana.

Imagem: Lean Construction

 

Isto porque entre os principais apelos da impressora 3D está o de redução de desperdício – impressoras 3D utilizam até 90% do material – e também o ganho de produtividade, uma vez que dispensa a mão de obra na execução daquela determinada tarefa, permitindo que o funcionário trabalhe em outras frentes de produção.

A filosofia já está instaurada nas construtoras, o mercado pede obras mais rápidas, limpas e econômicas. É questão de tempo até que as empresas utilizem impressoras 3D na execução.

2. O Brasil já tem startups para desenvolvimento de impressoras 3D e aplicativos de impressão tridimensional

Se engana quem pensa que é necessário importar tecnologia para ter acesso às impressoras 3D. Em Curitiba, engenheiros atentos a um mercado bilionário que ainda é incipiente no Brasil desenvolveram impressoras tridimensionais com tecnologia nacional, apostando na relação custo-benefício para ganhar espaço no mercado.

Há também startups desenvolvedoras de impressoras tridimensionais específicas para a construção civil. Em 2016, estudantes de engenharia da Universidade de Brasília com o apoio de Senai, CBIC, ABCP e SindusCon-DF, apresentaram uma impressora tridimensional que utiliza um concreto específico como material de impressão.

Já no desenvolvimento de aplicativos, o QiSat, o canal de cursos aplicados a projetos de engenharia e arquitetura, desenvolveu em conjunto com a Fundação de apoio à pesquisa científica e tecnológica do estado de Santa Catarina (FAPESC), um aplicativo que segmenta a impressão de acordo com o volume do modelo e o porte da impressora disponível e corrige automaticamente a volumetria das peças, de forma simples, intuitiva e sem necessidade de acesso à internet. O aplicativo está em fase de testes e até o momento, não há tecnologia semelhante aplicada a construção civil.

3. Pressão internacional para o uso da impressão 3D na construção civil

Os demais países estão mais adiantados quanto ao uso das impressoras 3D na construção civil, e essa realidade influenciará no mercado nacional da construção. Como eu citei no primeiro indício, o conceito da construção enxuta já é presente na política de trabalho das construtoras e é questão de tempo ocorrer a importação das impressoras tridimensionais que imprimem casas para o mercado da construção civil brasileira, principalmente como diferencial.

Todo o conceito de inovação agregado ao uso de impressoras 3D acarreta em um marketing de tecnologia de ponta de quem usa. Em um mercado tão acirrado, quanto vale ser reconhecido por ser pioneiro e liderar uma mudança?

Se todos os indícios levantados não forem suficientes, há um quarto sinal que o uso da impressora 3D na construção civil brasileira está muito próximo. Sistemas específicos para cálculo estrutural, como o AltoQi Eberick já possuem recursos de exportação de arquivos para impressão em escala reduzida. E muitos profissionais já estão utilizando este recurso, como vemos abaixo:

Imagem: Impressão 3D. Você pode ver este e outros empreendimentos na galeria de projetos AltoQi

Vimos então que o uso da impressora 3D na construção civil brasileira já está acontecendo, e uma evolução na forma de construir é iminente. Quer estar preparado para este novo cenário? No próximo artigo vou abordar sobre como escolher um curso de impressão 3D para construção civil.

Até lá.

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