Impressoras 3D: o futuro presente da engenharia

Em outras oportunidades, escrevi para este blog considerações sobre cenários e situações atuais do mercado da construção civil. Hoje, quero pedir licença para escrever sob outra perspectiva, com enfoque no futuro e nas inovações tecnológicas como impressoras 3D, que certamente impactarão em nossas vidas e consequentemente, na nossa profissão.

Estamos entrando em uma nova era?

Historicamente, o humano tende a renovar alguns hábitos e formas de executar determinadas ações, devido ao surgimento de inovações tecnológicas facilitadoras.

Foi assim com a topografia, que já se baseou em bússolas magnéticas, passou por semi-transferidor e correntes, até chegar em teodolitos. Depois surgiram as estações totais eletrônicas e primas de reflexão, bastante utilizados atualmente. Hoje, com a possibilidade de uso de GPS, drones e até varrimentos tridimensionais a lasers, fica difícil pensar que já se utilizou correntes e bússolas para descrever uma superfície.

Catalogando pelos períodos mais emblemáticos estas mudanças tecnológicas que costumam atingir todos os setores, temos as revoluções industriais, iniciando com as máquinas a vapor, posteriormente migrando para maquinário elétricos, passando pela introdução da eletrônica até chegar nos dias atuais, a era da informação digital. Porém, a meu ver, dois novos fatores tecnológicos revelam que estamos entrando em uma nova era, a era das tecnologias cognitivas.

Um desses fatores, chamada de internet das coisas, é a capacidade dos objetos do nosso cotidiano, -como carros, geladeiras e óculos – de acessarem a rede mundial de computadores para trocar dados entre si e se adaptarem ao nosso comportamento. O segundo fator, é justamente a chamada computação cognitiva, ou programas de computador com a habilidade de aprender, sem necessidade de reprogramação para entender novas informações. Esses atributos geram uma nova perspectiva de possibilidades de interação e melhoria na atuação humana em todas as esferas.

A era cognitiva

Imagine um supercomputador que concentrasse todas as informações sobre todas normativas de construção, por exemplo. E depois cruzasse isto com outros dados sobre a aplicação dessas normativas em projetos já realizados, combinasse com teses, dissertações e livros com novas técnicas, comparando vantagens e aplicabilidade eficaz dos materiais e seções, nos fornecendo dicas e considerações sobre outras experiências já realizadas e probabilidades de acerto e desempenho. Tudo isso em segundos.

Embora pareça futurista, esta tecnologia já existe e está sendo implementada para testes em diversas áreas de atuação, entre elas a medicina. A multinacional International Business Machines (IBM) é uma das empresas que investem nessa tecnologia, através do seu supercomputador Watson. Veja o vídeo sobre este sistema clicando aqui.

O fato é que a existência de recursos cognitivos irão transformar o conceito atual de BIM e abrir outras possibilidades, como um programa capaz de apresentar soluções de interferências entre projetos, considerando experiências de outros profissionais e empreendimentos. Não considerar que a realidade virtual será apenas uma parte da tecnologia aplicada à engenharia é uma visão limitada do futuro, uma vez que esta pode ser utilizada para visualizar as soluções propostas pelo software.

Certamente, com o advento de tecnologias cognitivas, surgirão recursos que transcendam a realidade virtual e transformem também a forma de execução do empreendimento.. E nesse cenário, a protagonista será a impressora 3D.

Impressoras 3D: o próximo passo

Atualmente, há uma visão popular de que realidade virtual e impressoras 3D são vertentes distintas de tecnologia, onde sistemas simuladores e aumentadores de realidade, como os cardboards da Google, tomam a liderança em detrimento a impressão tridimensional. Essa é uma visão limitada do futuro e se engana quem pensa que estudos e melhorias para impressoras 3D estão estagnadas.

Os estudos de aperfeiçoamento são constantes e diversas áreas já tem na impressão tridimensional soluções para barreiras que até pouco tempo eram intransponíveis. A medicina, por exemplo, já utilizou uma prótese feita em impressoras 3D para reconstituir 75% do crânio de um paciente. Em 2013, a universidade de Edimburgo, no Reino Unido imprimiu objetos tridimensionais utilizando células-troncos embrionárias. Existem ainda estudos para impressão de pele, próteses de baixo custo, cartilagens e até mesmo órgãos.

Prótese de orelha, nariz e osso, impressos em impressora 3D Fonte: Divulgação pesquisas Harvard

Outros setores como o automotivo, joalheiro e alimentício – já existem chocolates feitos em impressoras 3D – utilizam a tecnologia tridimensional de prototipagem rápida no desenvolvimento de seus produtos. Na construção civil não é diferente. Embora no Brasil a utilização das impressoras 3D seja voltada principalmente para prototipagem de maquetes tridimensionais, em outros países, essas impressoras já são capazes de imprimir casas em menos de 24 horas.

Impressoras 3D

Casa sendo impressa na Rússia, pela empresa Apis Cor. Fonte: Divulgação site Apis Cor

Diante dessas informações, percebe-se que uma era de tecnologias cognitivas que redefinem possibilidades é iminente, e as impressoras 3D certamente transformarão a forma de construir o que é projetado. Resta saber se estamos preparados para dominar estes recursos.

No próximo artigo vou falar mais sobre impressoras 3D na construção civil, sua aplicabilidade e todo seu potencial de crescimento. Até lá.

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