3 conceitos sobre aproveitamento de água da chuva em instalações prediais

Os sistemas de aproveitamento de água da chuva podem ser usados em instalações prediais, sejam residenciais ou comerciais. Eles são regulamentados pela NBR 15527 e recolhem, filtram, armazenam e disponibilizam a água da chuva para uso externo ou interno.

Esses métodos sustentáveis ajudam a economizar água e se transformam em alternativa em épocas de racionamento hídrico. Nas áreas urbanas são usados, geralmente, para abastecer descargas de vasos sanitários, regar hortas e jardins, para limpeza de áreas comuns e também de automóveis. Aqui no blog você vai conferir posts especiais sobre o tema. Vamos começar com os três principais conceitos para a aplicação em instalações hidráulicas prediais.

Coleta

A água da chuva coletada normalmente em telhados e lajes de coberturas segue seu trajeto pelas calhas até os condutores verticais e horizontais e chega por fim às cisternas. Neste caminho – entre a área de captação e a cisterna – são utilizados filtros para separar os resíduos mais grosseiros, que funcionam de forma semelhante a uma peneira, direcionando a água com detritos para a rede de drenagem e a parte filtrada para a cisterna.

Escoamento inicial

Neste processo, é importante considerar o first flush, que é o descarte da chuva inicial. Isso porque a água da chuva que cai no telhado se mistura com diversos resíduos, entre eles, folhas, de pássaros, grãos de areias e poeira. Como as peneiras não conseguem eliminá-los totalmente, é utilizar reservatórios de autolimpeza.

O dimensionamento do volume do reservatório pode ser feito com base nas seguintes informações: retenção de 0,4 L/m², segundo o padrão da Flórida (EUA) ou dimensionamento com valores de superfície entre 0,8 e 1,5 L/m², conforme recomendação do professor Dacach.

Considerando um telhado de 250 m² e uma taxa de retenção de 0,4, temos como exemplo um reservatório de autolimpeza de 100 L (250*0,4).

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Coeficiente de runoff

Não é possível que o aproveitamento de água da chuva seja total – ou 100%, pois parte da água que cai em uma determinada área evapora, passa pelo processo de autolimpeza ou sofre outras perdas. Por esse motivo, deve-se usar o coeficiente de runoff no cálculo de dimensionamento do volume que será efetivamente reservado. Para telhados este coeficiente pode ser de acordo com a tabela apresentada a seguir:

tabela

Confira um exemplo de dimensionamento considerando o first flush e o coeficiente de runoff.

V= P x A x C x ?

V= volume do reservatório (litros)
P= precipitação média mensal (mm)
C= coeficiente de runoff do telhado (adimensional)
? = rendimento considerando o first flush (varia entre 0,5 e 0,9)
A= área do telhado (m²)

Assim, para definir um volume de chuva que pode ser reservado em uma área de telhado igual a 150 m², observando a precipitação mensal igual a 100 mm e adotando C= 0,8 e ? = 0,85, temos: V= 100 x 150 x 0,8 x 0,85 = 10.200 litros.

Para obter o máximo aproveitamento de água da chuva, é preciso seguir as regras normativas de instalação e aplicar conhecimento teórico e prático de instalações hidráulicas. Confira outros posts sobre o assunto no nosso blog.

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