4 desafios para criar projetos de reutilização da água

A água de reuso está dentro dos padrões estabelecidos para a reutilização da água em edificações. Ela pode ser de reuso indireto – utilizada pelo homem e descartada novamente nos corpos hídricos com ou sem tratamento prévio. E reuso direto, que não é lançada no meio e passa por tratamentos.

As instalações hidrossanitárias de uma edificação geram águas residuárias que são provenientes do descarte de água de banho; descargas de vasos sanitários; lavagem de mãos; cozimento de alimentos; descargas pluviais dos telhados; etc.

É possível fazer a reutilização de todas as águas de reuso. É claro que, para isso, tudo deve passar por um determinado grau de tratamento para o uso que se queira dar. Assim, a viabilidade econômica dos processos é um fator determinante para a reutilização da água.

Mas por que reaproveitar essas águas? Qual utilidade podemos dar a elas? Vimos no post sobre reuso de água em edificações que a água é o principal recurso natural envolvido. E devemos considerar a tendência de completa escassez de água no planeta. Em um planejamento de longo prazo, as edificações devem ter vida útil maior do que 30 anos. Considerando os aspectos climáticos adversos e a escassez de água potável, precisamos incorporar o reuso para seguir em frente.

Assim, é uma necessidade imediata repensar a engenharia das instalações hidrossanitárias prediais para racionalizar o consumo, otimizando oferta, consumo, desperdício e reaproveitamento.

Em relação à utilização da água de reuso, podemos citar diversos exemplos: irrigação de plantações, rega de jardins, lavagem de pisos e carros, descarga de vasos sanitários, reaproveitamento em processos industriais, como os que requerem resfriamento. Há também a possibilidade de retorno de 100% ao uso, dependendo de um processo mais caro e avançado de tratamento.

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Reutilização da água: analise as variáveis

É preciso avaliar algumas variáveis para chegar a um resultado eficiente de reaproveitamento ou até mesmo chegar à conclusão de que não existe viabilidade técnica e econômica para a reutilização da água:

  • Grau de potabilidade requerido ao uso;
  • Custo para atingir o grau de potabilidade ao uso;
  • Alternativas técnicas de engenharia possíveis para aplicar na utilização destas águas;
  • Quantidade de água disponibilizada requerida para o uso que se queira aplicar;
  • Grau de escassez de água potável de médio a longo prazo;
  • Período de planejamento requerido: curto, médio ou longo prazo;
  • Legislação aplicável ao reuso, posto que é obrigatória em certas cidades.

Desafio 1: alinhar expectativas entre os profissionais

Para alguns ambientalistas da administração pública, o reuso deve ser aplicado. Os engenheiros, por sua vez, ao fundamentar os argumentos em conhecimento hidráulico e tratamento de efluentes, acreditam que nem sempre a reutilização da água é viável. Isso porque, na interação das variáveis citadas, existe um desequilíbrio que tende ao negativo.

Muitas vezes, a legislação obrigatória retira do engenheiro a real condição de dar uma solução eficaz ao caso. Nas cidades em que a lei obriga o reuso, sem entrar no mérito técnico-econômico, o profissional de engenharia fica de mãos atadas. Importante lembrar que todo o sistema de reuso que demanda o consumo de energia elétrica está diretamente conectado aos recursos hídricos e o seu uso sustentável.

Todas as tecnologias praticadas atualmente para a reutilização da água residuária nas edificações estão em evolução e em um processo crescente de criação. Quanto mais energia elétrica consumimos, uma maior quantidade de recurso hídrico é demandada também. Afinal, as usinas hidroelétricas são os meios geradores de energia elétrica empregados em maior escala no Brasil.

Sendo assim, temos uma equação de equilíbrio não tão simples de se resolver. A questão ambiental, portanto, não pode ser apenas uma moda e uma mera tendência de mercado, na qual a reutilização da água não se baseia em critérios técnicos de viabilidade.

Desafio 2: evolução de sistemas de reutilização da água

A engenharia precisa evoluir ainda mais para compor sistemas de reuso viáveis nos aspectos técnico e econômico. Ainda tem muito a ser criado para equilibrar a economia com o reuso da água e o consumo de energia elétrica e custo de operação e manutenção dos sistemas de reuso.

As instituições de ensino colaboram com pesquisas sobre o tema, mas ainda falta uma maior integração dos estudos feitos e em andamento para que uma fundamentação e consolidação técnica estejam disponibilizadas. Assim, é possível difundir a aplicação de sistemas eficazes e criar legislações sobre o tema, que sejam mais condizentes com a realidade técnica e ambiental.

A multidisciplinaridade entre as engenharias também se faz mais necessária para um resultado criativo de sistemas de reuso mais eficazes. Arquitetos, engenheiros sanitarista, civil e elétrico devem interagir para chegar a soluções que inovem as velhas práticas.

Desafio 3: mudar hábitos de consumo

A reutilização da água requer uma mudança no consumo em edificações. Os usuários acostumados a usar água potável, muitas vezes, encontram resistência em usar águas de reuso, que são mais oxidativas e mineralizadas. Embora elas devam ser cloradas e estão aptas para consumos não potáveis, a aparência desagrada os usuários. Assim, uma mudança de hábito cultural precisa promover a aceitação das características qualitativas desta água.

Desafio 4: criar instalações mais seguras

Os projetistas também devem garantir instalações hidráulicas que não propiciem contaminação cruzada entre água de reuso e água potável. As redes hidráulicas de ambas as águas devem ser regiamente separadas, de forma a garantir que a água potável não seja contaminada com água de reuso.
Assim, o tema do reuso é multidisciplinar, com muitas variáveis a serem consideradas. Pensar diferente é o desafio que se requer para esta “reengenharia criativa” e sustentabilidade do planeta. No próximo post, abordarei um pouco as variáveis que devem ser consideradas para compor um sistema hidrossanitário de reutilização de água predial. Acompanhe as novidades.

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