Evite estes vícios de projetos hidrossanitários prediais

Como qualquer área, alguns projetos de engenharia são constantemente contaminados por más práticas. Os vícios de projetos hidrossanitários, por exemplo, são as causas mais comuns de problemas no abastecimento de água e escoamento de esgoto. Muitas vezes, o projetista comete esses erros e só vai perceber da gravidade deles no momento em que o sistema estiver funcionando. Por isso, separamos abaixo alguns erros de projetos nesse segmento e como evitá-los.

Hidráulicos

1. Lançamento de situações com sifões na tubulação.

É recomendável que toda a tubulação seja feita visando uma declividade para que as pequenas bolhas de ar eventuais não fiquem presas nos pontos mais elevados dos sifões. Por exemplo, em instalação feita sobre portas, o sobe e desce de condutos, pode-se gerar uma região propícia para acúmulo de ar. Como a tendência natural é escoar o ar para cima, ele acaba retido nessa região. Sendo que o ar acumulado na tubulação, acaba gerando uma redução da cessão do tubo, prejudicando a vazão do sistema hidráulico. Quando não for possível evitar esse traçado, a norma impõe que sejam aplicadas nos trechos mais elevados equipamentos específicos para eliminação do ar, como ventosas, que precisam ficar em locais de fácil acesso.

2. Não ter tubulação de aviso.

A tubulação de aviso é normalmente esquecida nos projetos, embora tenha a função de apontar a existência de problemas no abastecimento do reservatório. Quando ocorrem problemas nas boias do reservatório, por exemplo, o controle da entrada de água pode ficar comprometido. Isso significa que mesmo totalmente cheio, continua entrando água, que vai para o extravasor e é jogada fora. Como normalmente o reservatório fica localizado em regiões não visíveis (principalmente em prédios), o problema não é identificado tão rapidamente. É para isso que coloca-se uma tubulação de aviso, que ligada ao extravasor do reservatório, lança a água que serve de aviso, em um ponto em que há circulação de pessoas. Desse modo, fica mais fácil detectar o problema e resolvê-lo, evitando o desperdício de água.

3. Dimensionamento do reservatório de acordo com o volume necessário para a edificação.

Esse cálculo é feito com base no número de pessoas que habitam a edificação e qual o tipo da edificação (comercial, residencial, escola). De acordo com a norma NBR 5626, deve-se adotar no mínimo um volume pra suprir a edificação para um dia. Por bom senso e precaução, recomendamos que o engenheiro adote entre 1,5 a 2 dias. Em prédios, normalmente adota-se um reservatório superior localizado na torre com 2/5 do volume total e uma cisterna localizada na base da edificação com 3/5 do volume total.

4. Velocidade de escoamento de água excessivo na tubulação hidráulica.

De acordo com as normas vigentes no país, o dimensionamento da tubulação hidráulica deve ser efetuado com base na velocidade máxima de escoamento igual a 3 m/s. Quando a água tem velocidade muito elevada, ocorre maior perda de carga e consequentemente maior perda de pressão na rede hidráulica. A velocidade pode resultar muito alta por um erro na escolha dos tubos, com diâmetros menores que o necessário. Além da pressão menor, o escoamento pode gerar ruídos na tubulação (assovios) desagradáveis. O golpe de aríete também pode ser provocado pela velocidade excessiva no escoamento. Nesse caso, devido à desaceleração muito brusca, a água gera um golpe muito grande, força capaz de danificar as conexões das tubulações.

Sanitários

1. Infiltração do sumidouro.

Este problema pode surpreender o projetista apos a execução da obra e envolve o tipo do solo, devendo tomar muito cuidado com o nível do lençol freático. Por norma, o fundo do sumidouro deve estar a pelo menos 1,5 metros de distância vertical do lençol freático. Por isso, é essencial estudar o solo e a profundidade do lençol freático antecipadamente. Se o lençol freático for mais elevado e o engenheiro não levar esse dado em consideração, a tendência é ter água retida no sumidouro além de estar desrespeitando um item normativo e contaminando o lençol freático. Esse erro de dimensionamento será detectado pela fiscalização, sendo necessário refazer o projeto e ajustar a unidade de tratamento na obra. Para evitar transtornos, deve-se definir nessa situação outras alternativas de tratamento do esgoto, como a aplicação de valas de infiltração.

2. Curvas em 90º nas tubulações de esgoto.

É possível observar em alguns projetos sanitários, a aplicação de joelhos e curvas em 90º nas mudanças de direção na horizontal, sendo que está aplicação não está correta. No lugar dessas peças, devem-se aplicar conexões com ângulos de 45º, melhorando o escoamento e proporcionando uma maior facilidade na manutenção da rede em casos de entupimento.

3. Distância dos elementos sifonados.

Problemas com odores retornando acontecem mesmo com a presença de elementos sifonados, como caixa sifonada. Por quê? Uma rede de ventilação deve ser aplicada no projeto. Inicialmente pode-se supor que a única finalidade dessa rede é remover os gases da tubulação de esgoto, mas essa não é a aplicação principal. A finalidade é manter a pressão atmosférica dentro da tubulação, evitando a geração de pressões negativas que alterem o fecho hídrico dos elementos sifonados. A água que fica retida na caixa sifonada, por exemplo, serve como barreira para que os odores não entrem no ambiente. Para evitar esse problema, projete corretamente a rede de ventilação, respeitando as distâncias máximas e mínimas do ramal de ventilação em relação aos desconectores (elementos sifonados). Essas distâncias estão previstas na NBR 8160, variando de acordo com o diâmetro do ramal que está ligado na saída do desconector.

4. Problema de espuma nos ralos.

A espuma que retorna e se acumula no ralo incomoda muitos usuários de edificações residenciais. Esse fenômenos são provenientes dos detergentes utilizados, mas podem ser evitados. O retorno da substância geralmente ocorre no primeiro e segundo andar de edificações com mais de três pavimentos. Para evitar, pode-se adotar uma coluna para coletar o esgoto apenas do primeiro e do segundo andar e outra coluna para coletar o esgoto dos andares acima. Essa divisão vai reduzir a geração de espuma que normalmente ocorre na base de coluna devido a turbulência gerada no escoamento da água. Outra dica para diminuir a turbulência da agua é trocar joelhos com curvatura fechada, por peças com ângulos de curvaturas maiores, como dois joelhos de 45º ou até uma curva de raio longo. A norma recomenda, ainda, evitar a ligação das tubulações de esgoto ou de ventilação nas regiões onde pode haver sobrepressão. Nessa situação, confira a norma que indica exatamente quais as zonas caracterizadas como de sobrepressão.
Esperamos que com essas dicas você possa evitar vícios de projetos hidrossanitários comuns na área e se destaque como projetista. Se ficou com alguma dúvida, deixe sua pergunta no campo de comentários.

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